sábado, 28 de abril de 2007

Morales afirma que Fidel reassumirá Presidência de Cuba em 1º de maio

Saiu no UOL

28/04/2007 - 13h49

La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales,
afirmou que o líder cubano Fidel Castro reassumirá a Presidência de
Cuba na terça-feira, 1º de maio, e afirmou ter informações relativas
a uma "grande mobilização" que está sendo preparada para a ocasião,
em Havana.

"Tenho certeza de que, em 1º de maio, o companheiro Fidel vai
participar da cúpula da Alba, e continuará governando Cuba e a
América Latina", disse Morales, segundo publicou hoje o jornal local
"La Razón".

O líder fez estas declarações na sexta-feira à noite, após a
entrega de terras a comunidades indígenas do departamento de Pando
(norte da Bolívia), poucas horas antes de viajar para a Venezuela,
onde participará da 1ª Cúpula da Alternativa Bolivariana para as
Américas (Alba).

A Cúpula começará hoje, na cidade de Barquisimeto, 350
quilômetros ao oeste de Caracas, com a participação do anfitrião,
Hugo Chávez, e de seus colegas da Bolívia, Evo Morales, e da
Nicarágua, Daniel Ortega.

"Estou quase convencido de que o companheiro Fidel participará da
cúpula, para continuar administrando e dirigindo o povo cubano, esse
povo revolucionário", disse o presidente boliviano.

Apesar de ter afirmado que não conversou pessoalmente nos últimos
dias com o líder cubano, Morales disse ter informações relativas a
uma "grande mobilização que está sendo preparada em Cuba" para
celebrar o retorno de Fidel ao poder.

Em meados de março, Morales já havia se aventurado a dizer que
Fidel reapareceria hoje ou amanhã (28 ou 29 de abril), por causa do
3º aniversário da criação da Alba, formada por Cuba, Venezuela,
Bolívia e Nicarágua.

Fidel, que sofre de uma doença intestinal, delegou a Presidência
cubana ao seu irmão Raúl, e não aparece em público desde 26 de julho
de 2006.

No entanto, as últimas imagens de Fidel, divulgadas na semana
passada e tiradas durante uma reunião que o líder cubano manteve com
uma delegação chinesa, confirmaram as mensagens de altos
funcionários do Governo cubano sobre a recuperação do dirigente do
país.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Se curiosidade matasse...


Cada vez que termino um livro sobre Cuba, seja ele a respeito de um personagem, da revolução, da cultura, fico mais curiosa para ler outros.

Ontem terminei de ler 'Che Guevara', de Kim Yong-Hwe, um coreano famoso na HQ . É um livro em quadrinhos (claro, se o autor é famoso na HQ!)que conta a história do guerrilheio. Indico para quem não sabe nada a respeito da Revolução Cubana ou sobre o médico revolucionário.

No livro tem curiosidades, trechos de cartas de Che e muitos pensamentos. A leitura não aumentou muitos conhecimentos, pois tudo que consta nele já tinha lido em outros livros, mas aumentou, e muito, minha fascinação por Che Guevara.

O cara era burguês e asmático, mas não deixou acomodar-se na riquesa dos pais nem fraquejar-se com a doença, mesmo nos momentos mais críticos da batalha em Sierra Maestra.
Na primeira vez que as tropas de Batista atacam os revolucionários depois de uma denúncia de um camponês, em meio a uma crise de asma, Che troca a maleta de primeiros socorros pela arma (ele entrou no grupo de Fidel como médico) e depois se explica para o companheiro Camilo Cienfuegos: "Tive que tomar uma decisão sobre minha vida. Tinha que escolher entre o caminho do médico e o caminho do guerrilheiro."

O final é triste, pois, contra os acordos entre Cuba e URSS, Che larga seus cargos na Ilha e vai para a Bolívia tentar fazer outra revolução, onde morre assassinado aos 39 anos. Mas, como ele memso deixou escrito: "Muitos me chamaram de aventureiro, e osou, mas de um tipo diferente. Sou daqueles que põem a vida em jogo para demosntrar as próprias verdades."

"Sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça praticada contra qualquer pessoas em qualquer parte do mundo. Essa é a qualidade mais linda de um revolucionário" - Che, na carta que deixou para seus filhos antes de morrer na Bolívia.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Alicia fez glória, mas também fez escola!

Lendo o livro "Alicia: la maravilla de la danza" eu passei a admirar Alicia Alonso mais do que já admirava, se isso for possível. Não apenas uma diva dos palcos, mas uma mulher engajada que usou a dança como arma contra a ditadura de Fulgencio Batista. Me lembrei da entrevista que Alicia deu ao Jornal Nacional (se não me engano...) comentando que a história do Ballet Nacional de Cuba se confunde com a da Revolução Cubana, mas Alicia corrige: "Pero yo empecé antes".

"Com o triunfo da Revolução, em 1959, abriram-se possibilidades para a cultura de nosso povo."
Alicia Alonso

domingo, 15 de abril de 2007

Cuba e Dubai: dois caminhos para o capitalismo

Abaixo segue texto da revista Veja dessa semana....

Tão distantes e tão diferentes, ambos poderão alcançar
a mistura certa de liberalismo econômico e democracia

Maílson da Nóbrega visitou Cuba e Dubai recentemente, com intervalo de duas semanas. Eis suas reflexões sobre o que viu e leu.

"Ao despedir-se dos turistas na fábrica da Partagas em Havana, o guia recomenda que comprem muitas caixas de charutos. "Será um bom investimento." Espera o ar de dúvida e complementa com humor: "Como os americanos voltarão a comprar, os preços vão subir". Essa visão capitalista – que antecipa prováveis mudanças em Cuba – é a mesma que orienta a notável expansão de um emirado do outro lado do mundo, Dubai.

A capital cubana é o retrato da economia socialista. Estão ausentes os incentivos ao investimento privado, à inovação e aos ganhos de produtividade, que são os verdadeiros motores do crescimento sustentado. Vêem-se muitos prédios decrépitos e automóveis antigos, mas nenhum guindaste de construção civil.

Por sugestão de amigos que haviam visitado Cuba, contratei um táxi para os meus dias na ilha. O motorista-guia é professor de economia da Universidade de Havana, onde ganha o equivalente a 40 dólares por mês. Ex-diplomata, fala cinco idiomas. As gorjetas em "pesos convertibles" superam em muito o salário oficial e permitem o acesso a lojas de importados, onde pode adquirir produtos estrangeiros e superar as agruras do racionamento de comida.

Enquanto dirige o táxi estatal, nosso guia fala dos feitos da revolução e das mudanças em curso. Informa que o setor privado já domina 15% da economia, mas os restaurantes e outras pequenas empresas só podem empregar a família. Nos hotéis estrangeiros, os trabalhadores são funcionários públicos. Imagino que é a maneira de evitar a "mais-valia", a suposta exploração do homem pelo homem. Na realidade, a abertura era inevitável depois da perda dos 4 bilhões de dólares anuais da União Soviética. O prurido marxista é uma desculpa, pois metade do PIB já vem do turismo. A associação com uma empresa francesa aumentou a eficiência na produção do rum Havana Club e decuplicou as exportações.

Nosso taxista é orgulhoso dos avanços na educação e na saúde, mas afirma que o desenvolvimento exige mais. "O melhor seria o caminho chinês, e Raúl Castro poderia ser o Deng Xiaoping cubano", diz, com jeito de bem informado. A experiência da Europa Oriental ensinaria como resolver a questão das propriedades confiscadas pela revolução.

O guia da Partagas parece refletir as conversas deste momento em Cuba. Nosso taxista diz que na sua faculdade 90% dos intelectuais discutem saídas para a transição. Certamente, muitos sonham melhorar suas vidas com pequenos (e talvez grandes) negócios. Ele mesmo planeja atuar no turismo assim que a abertura vier (com empregados, claro), mas é paciente. "Assim como na China de Mao, a mudança virá depois de Fidel."

Dubai, a capital do emirado de mesmo nome, já é capitalista, mas se assemelha a Cuba no lado político: não é uma democracia. No ranking da Economist Intelligence Unit, ambas são consideradas regimes autoritários. Curiosamente, o lugar de Cuba na lista geral (124) é melhor do que o dos Emirados Árabes Unidos (150), dos quais Dubai é parte.

Antes de obter o visto, fui informado de que são barrados pelo serviço de imigração os israelenses ou quem tiver no seu passaporte um carimbo de entrada em Israel. Apesar disso, Jacob Frenkel proferiu a palestra de abertura da conferência promovida em Dubai pelo AIG Global Investment Group. Frenkel é israelita e presidiu o Banco Central de Israel. A explicação pode ser simples: como Dubai busca se consolidar como o maior centro financeiro do Oriente Médio, cuja posição cabia a Beirute antes da guerra civil de 1982, barrar a entrada de Frenkel, conceituado economista, professor de Chicago e ex-diretor de pesquisas do FMI, seria um erro estratégico contra os objetivos do país.

Esse pragmatismo incorpora um cálculo econômico, e não religioso. Dentre os emirados, Dubai não é dos mais contemplados com o petróleo, que logo vai se exaurir. A saída para preservar seu alto padrão de bem-estar é o capitalismo, incluindo a atração do investimento estrangeiro e o caminho sem retorno ao liberalismo econômico. A modernização de Dubai é intensa, mas o governo federal não fica atrás. A ministra da Economia é uma mulher, Lubna Al Qasimi, que em entrevista recente (www.mckinseyquarterly.com) enfatiza o mercado de capitais e diz que o investimento estrangeiro "transfere conhecimento e expertise em áreas que não são o forte do país".

Dubai triplicou de tamanho nos últimos vinte anos. Imagina-se que vá duplicar nos próximos dez anos. A decisão de seus xeques, de transformá-lo em um centro de turismo, serviços e finanças, incrementado por investimentos imobiliários, foi acertada. Dubai é um gigantesco canteiro de obras. Em um mesmo lugar, contaram-se cinqüenta guindastes, um recorde mundial. Sua rede de restaurantes e hotéis impressiona, incluindo o já famoso Burj Al Arab, em forma de vela de barco. Está em construção ali o maior edifício do mundo, o Burj Dubai, com 160 andares e duas vezes a altura do Empire State. O metrô será o mais automatizado do planeta. A Dubailand e suas atrações pretendem ter o dobro do tamanho da Disneylândia.

Sem dispor de pirâmides, museus famosos, ruínas romanas ou locais santos, Dubai consegue atrair milhões de turistas. Estima-se que receberá 15 milhões de visitantes em 2010, mais de dez vezes sua população atual. Para tanto, possui excelente infra-estrutura aeroportuária. Mais de noventa empresas aéreas já operam em seu território. Dubai é cosmopolita. Estrangeiros compõem 85% da população. O árabe é a língua oficial, mas fala-se inglês em todos os lugares. O respeito às tradições, ao modo de vestir e a outros costumes locais é preservado, mas os trajes ocidentais predominam.

Dubai tem economia diversificada e já se transformou no segundo maior centro de reexportação de produtos industriais depois de Cingapura. O petróleo representa apenas 5% do PIB. Além da estabilidade política e econômica, não há miséria e são muito baixos os níveis de criminalidade. Suas empresas despontam nos mercados mundiais. A DP World ganhou concorrência para atuar nos principais portos dos Estados Unidos, mas foi deliberadamente barrada diante de temores no Congresso.

Cuba pode chegar à democracia antes de Dubai, mas ainda não é claro se vai mesmo caminhar para a economia de mercado, apesar da crescente percepção de que isso será inevitável. O socialismo se torna insustentável pelas mesmas razões que o levaram a desmoronar na Europa e na China, isto é, sua incapacidade de gerar riqueza e bem-estar no ritmo do Ocidente. A saída deve demorar a aparecer. Fidel ainda dá sinais de vida e de insensatez, como no brado recente contra o etanol, que segundo ele matará bilhões.

Condições para a construção de uma economia capitalista em Cuba existem. Segundo Julia Sweig, do Council on Foreign Relations, "embora infestada por uma corrupção crescente, Cuba dispõe de uma burocracia profissional, de militares testados em batalhas, diplomatas capazes e mão-de-obra qualificada. Os cubanos são altamente instruídos, cosmopolitas, saudáveis e dotados de infinita capacidade empresarial" (Foreign Affairs, jan./fev. 2007). Uma das maiores especialistas americanas em assuntos cubanos, Julia Sweig fez 84 visitas à ilha e se reuniu algumas vezes com Fidel. Os círculos que ela freqüenta por lá reconhecem a necessidade de resolver a baixa produtividade e a ineficiência na atividade produtiva. O caminho é óbvio.

Dubai depende de si própria para continuar prosperando sob o sistema capitalista e talvez iniciar uma transição rumo ao regime democrático. Cuba depende de um líder com visão de futuro, paciência e persistência para guiá-la na direção do binômio democracia-economia de mercado, mas também das atitudes do governo americano. Depois do colapso soviético, Cuba deixou de ser um problema de segurança e se tornou uma questão política doméstica, por causa dos votos cubanos na Flórida e das pressões de grupos anticastristas para o endurecimento das relações com Fidel. O sucesso da transição dependerá muito de ganhos de racionalidade na política externa dos Estados Unidos em relação a Cuba.

Nem todos se conformarão com essas duas transições. A velha esquerda latino-americana dificilmente aceitará que o comunismo de Fidel tenha sido apenas um caminho mais longo para chegar à economia de mercado. Mike Davis, em artigo de 2006 na New Left Review (http://newleftreview.org), vê ameaças no progresso estonteante de Dubai. Para ele, os atuais aplausos de bilionários e multinacionais, seus supostos beneficiários, podem desaguar em um retorno a um pesadelo do passado. "Speer (o arquiteto do III Reich) encontrará Disney nas praias da Arábia."

Na verdade, Cuba e Dubai têm tudo para construir uma combinação bem-sucedida de democracia e capitalismo. O futuro dirá."

Maílson da Nóbrega é ex-ministro
da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Integrada

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Projeto OK

Hoje recebemos uma boa notícia: Projeto OK, assinado pela prof. Denise no nosso pré pré pré projeto! Agora sim, mãos a obra mais do que nunca! Apesar dessas mãos já estarem calejadas desde o ano passado...
Peço aos nossos leitores deixarem dicas de livros, filmes e viagem, informações, contar experiências, fazerem críticas ao nosso projeto e comentarem tudo que tiverem em mente, afinal a ansiedade pode nos cegar para coisas óbvias.
Todas os comentários serão válidos...

"Mais importante que a possível riqueza material é se sentir vivo" - Alícia Alonso

quinta-feira, 12 de abril de 2007

APRESENTAÇÃO

Bem vindos!

Este primeiro post servirá para nossa apresentação. Somos estudantes do 4º (e último!!) ano de Jornalismo da PUC-Campinas. Como Trabalho de Conclusão de Curso (que no caso do Jornalismo se chama "Projeto Experimental") pretendemos fazer um ensaio fotográfico sobre a Escola do Ballet Nacional de Cuba.

Temos pesquisado desde janeiro/2006 tudo sobre Cuba para que pudéssemos fazer o recorte ideal do tema. A princípio iríamos fazer um ensaio fotográfico sobre o Ballet Nacional de Cuba mas percebemos que a Cia de dança já tinha bastante visibilidade. Então buscamos o ineditismo.... aí surgiu a idéia de mostrarmos as SEMENTES que geram os FRUTOS, ou seja, as alunas das escola.

O trabalho precisa ser realizado no segundo semestre de 2007. Como ainda não conseguimos contato com a escola, não sabemos ao certo como funciona o ano letivo, mas acreditamos que no mais tardar em setembro estaremos em Cuba, fotografando.

Acompanhem aqui todos os nossos passos.

Hasta la vitória, siempre!