domingo, 7 de outubro de 2007
Mais uma fase do projeto
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
A viagem
12/09
Ao chegarmos ao hotel, por volta das 16h, conversamos com o porteiro, que nos informou das férias escolares e que acreditava não ter aulas, ainda, na Escola Nacional de Ballet. Ficamos doidas e fomos até a escola (que era do lado do hotel), lá conversamos com os seguranças que disseram ter sim aulas e que deveríamos voltar no dia seguinte e conversar com Ramona, adiretora.
13/09
Logo cedo fomos para a ENB conversar com a Ramona. Ao apresentarmos nosso projeto ela disse que não autorizaria as fotos por não termos passado pelo ministério da cultura e também porque não havia recebido nada antes (apesar de termos enviado em junho o nosso projeto). Outro argumento usado pela diretora foi o de que os alunos haviam voltado de férias (dois meses) e ainda faziam preparação física, portanto as aulas eram mais leves.
Então conversamos com Henrique, um dos professores da escola que nos levou para conhecer o prédio e ele disse que a Escola Alejo Carpentier já estava tendo aulas. Fomos até lá, onde uma professora nos recebeu e disse que deveríamos pedir autorização para a Província da Cultura. Lá, esperamos mais de uma hora para recebermos a notícia de que esse tipo de autorização só era emitida pela CNEART (uma associação de escolas de arte de Cuba). Como estávamos do lado do Museu nacional da Dança, resolvemos conhecê-lo.
O MUSEU
Pagamos 3 pesos cada uma para entrar no museu. Uma prédio antigo, muito bonito. Lá trabalham senhoras já de bastante idade com algum conhecimento em ballet (o que constatamos não ser raro na Ilha). Fomos atendidas pela Dora, de 75 anos e qual foi nossa surpresa ao descobrirmos que sua neta, Yanela Piñera, era uma das bailarinas principais do Ballet Nacional de Cuba. Dora tem uma história muito interessante que vale um post dedicado à ela, portanto não entrarei em detalhes agora. Ela foi citada agora por ter nos ajudado a fotografar o museu (lá eles cobravam 5 pesos a mais para fotografar), mas ela nos permitiu fazer as fotos sem cobrar os cinco pesos.
O Museu tem uma sala dedicada às artes plásticas com referência à Alicia Alonso e uma sala somente com a história de Alicia.
Saindo do museu, seguimos para a CNEART, que ficava bem longe de onde estávamos. Ao chegarmos lá, fomos informadas de que não conseguiríamos autorização por ser algo muito burocrático. Então sugeriram que tentássemos fotografar o Ballet Nacional de Cuba ou o Centro ProDanza, que são independentes.
Quase sem esperanças, com mapa na mão, suor no rosto e ombros castigados pelo forte sol, lá fomos nós procurar uma avenida mais movimentada para conseguirmos um táxi. Achamos a 5º avenida que, até agora não sei ONDE fica no MAPA (parece um lugar a parte em Havana).
Ficamos um bom tempo esperando passar um táxi. Quando o primeiro surgiu, estava ocupado, e logo atrás veio outro que nos ofereceu serviço... aceitamos. E por uma obra do destino, o motorista era amigo de um bailarino do Ballet Nacional, o Félix Rodriguez. Então, o taxista disse que nos ajudaria.
NO BALLET NACIONAL DE CUBA
Chegando na sede do Ballet Nacional de Cuba, fomos atendidos por Miguel Rodriguez, um dos professores e melhor amigo de Félix. Miguel nos disse que Félix estava reformando sua casa e por isso não havia ido ao BNC naquele dia. Mas, conversando com Miguel, descobrimos que meu professor de Ballet aqui do Brasil, Roberto Rosa, havia sido seu aluno. Assim, já fomos fazendo amizade. Miguel disse para voltarmos na manhã seguinte que o Félix diria se poderíamos fotografar ou não o BNC.
Voltamos para o hotel com um pinguinho de esperança.
14/09
De manhã, logo cedo fomos fazer algumas fotos de paparazzi dos alunos da Escola Nacional de Ballet. Depois seguimos, com os dedos cruzados, para o Ballet Nacional de Cuba. Lá, encontramos Miguel que nos levou até outro prédio do BNC onde Félix fazia aula. Esperamos o término da aula e fomos com Félix até a sede principal, onde ele liberou nossa entrada (uma concessão rara). Fomos até uma sala de aula e ele nos instalou em um mesanino sobre a mesma, de onde poderíamos fotografar sem sermos notadas e sem atrapalhar o bom andamento da aula. Ficamos ali "escondidas" tirando fotos.
Mas não era uma aula qualquer!
Foram 400 fotos em uma hora, simplesmente da aula das bailarinas principais (conhecemos a neta de Dora, Yanela) e também uma audição dos recém formados na Escola nacional de Ballet que pleiteavam uma vaga no BNC!
Missão cumprida! Fotos feitas, agora era só fazer turismo....
17/09
Como não nos contentamos com pouco, na segunda-feira fomos até o PróDanza (de Laura Alonso) fotografar mais um pouco. Lá fomos super bem recebidas e conseguimos fazer mais fotos.
Trabalho garantido, hora de ir embora.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Preparativos para a viagem
Orientação
Bom, já tivemos três orientações onde mostramos nosso trabalho ao professor para uma avaliação dele. Levamos também nossos equipamentos e discutimos como conduzir as entrevistas lá na escola. Nosso hotel é VIZINHO da Escuela Nacional de Ballet de Cuba, vamos tentar fazer algumas fotos do próprio hotel pois a arquitetura da escola é muito bonita!
Como nosso trabalho trata-se de DOIS olhares diferentes sobre a escola e o cotidiano das alunas, ficou decidido que a Paula fará fotos analógicas e em PB (um olhar de espectador) e eu farei fotos digitais e coloridas (olhar técnico). Faremos também um making off para ser exibido no dia da apresentação.
Viagem
Fechamos o pacote com a agência dia 22/08. O embarque ficou para o dia 12/09 às 03h55 da manhã. Vamos ficar no Hotel Sevilla, em Havana.
No dia 25/08 encontrei o professor cubano Roberto Rosa que me passou várias dicas para nossa viagem, onde ir, o que conhecer, com quem falar.
Agora só teremos mais uma orientação antes da viagem. Malas quase prontas...
Hasta luego!
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
COMEÇOU
A orientação começou.
Nosso orientador, como o previsto, é o Nelson Chinalia. Como nosso relatório já está 70% pronto, só nos resta TREINAR, enquanto não chega a tão esperada data da viagem. Infelizmente não conseguimos ajuda nem do consulado, nem da embaixada, mas estamos correndo atrás de toda ajuda possível tanto na autorização da escola quanto financeira.
Pretendemos viajar dia 09/09.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Reunião com vereador Benassi
Nessa terça-feira fomos conversar com o representante do PC do B na câmara municipal de Campinas, o vereador Sérgio Benassi.
Apresentamos nosso projeto pra ele e isso já nos rendeu uma audiência com a Consulesa cubana Georgina pois o cônsul, senhor Carlos E. Tejo está no Rio de Janeiro. Terça que vem teremos mais novidades.
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Ela nasceu para que Giselle não morresse

Alicia começa sua "aula magistral" contando quando foi a primeira vez que dançou Giselle. Ela estava em uma companhia de dança norte americana, se recuperando da ultima cirurgia que fez nos olhos (quando sua retina descolou). Alicia Markova (que interpretaria Giselle) ficou doente e não poderia dançar o Ballet de Repertório, mas o teatro já vendera todos os ingressos. Nenhuma das bailarinas da companhia quiseram substituir Markova, mas Alicia Alonso com toda sua audácia se ofereceu.
Ela teve DUAS SEMANAS para aprender todo o ballet na versão americana (tinha que atuar o mais semelhante a Markova). Ela colocava suas sapatilhas logo cedo para ensaiar, e só as tirava de noite, quando terminava o espetáculo.
Alicia conta também que uma bailarina NUNCA deve repetir uma atuação. Principalmente quando se trata de Giselle. Ela diz que cada dia fazia uma Giselle diferente, movimentos simples, que não modificavam a coreografia, mostravam uma Giselle alegre, as vezes uma Giselle sensitiva que previa seu destino....
Por isso que ela nasceu para que Giselle não morresse.
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Buena Vista Social Club

Ainda tem na lista de filmes a assistir: Sob fogo cerrado, Habana Blues, Dirty Dance 2 e Morango e Chocolate. Alguém sugere mais?
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Produção
Também marcaremos a entrevista no Consulado para essa semana ou para a outra. Já fomos em uma agência de viagem para vermos pacotes etc.
Estamos correndo contra o tempo para lermos TODOS os livros sobre os assuntos (que são muitos), e os filmes também estão na lista (A dona Paula já está com o Buena Vista Social Clube.... hhehe).
O que mais nos preocupa agora é o patrocínio, então se você é um empresário que gostaria de investir em cultura, eis aqui duas quase-jornalistas dispostas a produzir um super trabalho.
"Digo a todos simplesmente que estou melhorando e mantenho um peso estável, com cerca de 80 quilos" - Fidel Castro
--> Quem disse que ele não voltava heim??
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Pontinha de inveja!
Depois de três dias de entrevista (isso porque foi concedido apenas uma hora para conversar com Fidel), o autor deixa claro no livro que em nenhum momento recebeu ordens do que deveria ou não perguntar, que o presidente em momento algum se sentiu perturbado nem mesmo cansado.
Além de tudo isso, o repórter foi, a convite de Fidel, à Sierra Maestra para conhecer de perto o lugar que culminou a revolução. E como isso não bastasse, ele deu uma 'voltinha' com o revolucionário por Habana Vieja! No trajeto Fidel mostrou com orgulho o maior hospital do país que ocupa um prédio que antes era do Banco Central e D'Ávila pode comprovar a popularidade, o respeito e o carinho que o povo cubano tem pelo seu 'comandante'.
Ah se fosse eu!!!!!!!! Ah se eu pudesse pelo menos ver a carinha de Fidel em alguma janela do Palácio Presidencial...
A entrevista foi trasmitida pela extinta TV Manchete em 1983. Segundo o autor, ela contribuiu para o reatamento das relações diplomáticas entre Brasil e Cuba que ocorreu poucos meses depois.
"Sempre houve muita simpatia pelo povo brasileiro em Cuba. Admiramos seus homens de ciência, pintores, arquitetos, sua cultura." Fidel Castro.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Síndrome do mais um dia!
Agora, isso é bom ou ruim? Será que escrevemos demais? Nos empolgamos? Fizemos o que não era para fazer? Demos um pulo maior que a perna? Colocamos a carroça na frente dos bois? Ai ai ai...
Só sei que se tivessemos mais alguns dia ele não estaria gordinho, ele estaria obeso! Com direito a diabetes, colesterol e triglicérides.
Ainda tem muita coisa a acrescentar e muitos livros para serem lidos, muitos filmes a serem assistidos e, principalmente, muitas entrevistas a serem feitas.
Empresários, aguardem-nos. Logos estaremos batendo em sua porta pedindo patrocínio.
“Viver em uma sociedade comunista é viver sem egoísmo, viver entre o povo e com o povo, como se realmente cada um de nossos vizinhos fosse nosso irmão mais querido” Fidel, em discurso de 26 de julho de 1968.
sábado, 28 de abril de 2007
Morales afirma que Fidel reassumirá Presidência de Cuba em 1º de maio
28/04/2007 - 13h49
La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales,
afirmou que o líder cubano Fidel Castro reassumirá a Presidência de
Cuba na terça-feira, 1º de maio, e afirmou ter informações relativas
a uma "grande mobilização" que está sendo preparada para a ocasião,
em Havana.
"Tenho certeza de que, em 1º de maio, o companheiro Fidel vai
participar da cúpula da Alba, e continuará governando Cuba e a
América Latina", disse Morales, segundo publicou hoje o jornal local
"La Razón".
O líder fez estas declarações na sexta-feira à noite, após a
entrega de terras a comunidades indígenas do departamento de Pando
(norte da Bolívia), poucas horas antes de viajar para a Venezuela,
onde participará da 1ª Cúpula da Alternativa Bolivariana para as
Américas (Alba).
A Cúpula começará hoje, na cidade de Barquisimeto, 350
quilômetros ao oeste de Caracas, com a participação do anfitrião,
Hugo Chávez, e de seus colegas da Bolívia, Evo Morales, e da
Nicarágua, Daniel Ortega.
"Estou quase convencido de que o companheiro Fidel participará da
cúpula, para continuar administrando e dirigindo o povo cubano, esse
povo revolucionário", disse o presidente boliviano.
Apesar de ter afirmado que não conversou pessoalmente nos últimos
dias com o líder cubano, Morales disse ter informações relativas a
uma "grande mobilização que está sendo preparada em Cuba" para
celebrar o retorno de Fidel ao poder.
Em meados de março, Morales já havia se aventurado a dizer que
Fidel reapareceria hoje ou amanhã (28 ou 29 de abril), por causa do
3º aniversário da criação da Alba, formada por Cuba, Venezuela,
Bolívia e Nicarágua.
Fidel, que sofre de uma doença intestinal, delegou a Presidência
cubana ao seu irmão Raúl, e não aparece em público desde 26 de julho
de 2006.
No entanto, as últimas imagens de Fidel, divulgadas na semana
passada e tiradas durante uma reunião que o líder cubano manteve com
uma delegação chinesa, confirmaram as mensagens de altos
funcionários do Governo cubano sobre a recuperação do dirigente do
país.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Se curiosidade matasse...

Ontem terminei de ler 'Che Guevara', de Kim Yong-Hwe, um coreano famoso na HQ . É um livro em quadrinhos (claro, se o autor é famoso na HQ!)que conta a história do guerrilheio. Indico para quem não sabe nada a respeito da Revolução Cubana ou sobre o médico revolucionário.
No livro tem curiosidades, trechos de cartas de Che e muitos pensamentos. A leitura não aumentou muitos conhecimentos, pois tudo que consta nele já tinha lido em outros livros, mas aumentou, e muito, minha fascinação por Che Guevara.
O cara era burguês e asmático, mas não deixou acomodar-se na riquesa dos pais nem fraquejar-se com a doença, mesmo nos momentos mais críticos da batalha em Sierra Maestra.
O final é triste, pois, contra os acordos entre Cuba e URSS, Che larga seus cargos na Ilha e vai para a Bolívia tentar fazer outra revolução, onde morre assassinado aos 39 anos. Mas, como ele memso deixou escrito: "Muitos me chamaram de aventureiro, e osou, mas de um tipo diferente. Sou daqueles que põem a vida em jogo para demosntrar as próprias verdades."
"Sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça praticada contra qualquer pessoas em qualquer parte do mundo. Essa é a qualidade mais linda de um revolucionário" - Che, na carta que deixou para seus filhos antes de morrer na Bolívia.
terça-feira, 17 de abril de 2007
Alicia fez glória, mas também fez escola!
"Com o triunfo da Revolução, em 1959, abriram-se possibilidades para a cultura de nosso povo."
Alicia Alonso
domingo, 15 de abril de 2007
Cuba e Dubai: dois caminhos para o capitalismo
Tão distantes e tão diferentes, ambos poderão alcançar
a mistura certa de liberalismo econômico e democracia
Maílson da Nóbrega visitou Cuba e Dubai recentemente, com intervalo de duas semanas. Eis suas reflexões sobre o que viu e leu.
"Ao despedir-se dos turistas na fábrica da Partagas em Havana, o guia recomenda que comprem muitas caixas de charutos. "Será um bom investimento." Espera o ar de dúvida e complementa com humor: "Como os americanos voltarão a comprar, os preços vão subir". Essa visão capitalista – que antecipa prováveis mudanças em Cuba – é a mesma que orienta a notável expansão de um emirado do outro lado do mundo, Dubai.
A capital cubana é o retrato da economia socialista. Estão ausentes os incentivos ao investimento privado, à inovação e aos ganhos de produtividade, que são os verdadeiros motores do crescimento sustentado. Vêem-se muitos prédios decrépitos e automóveis antigos, mas nenhum guindaste de construção civil.
Por sugestão de amigos que haviam visitado Cuba, contratei um táxi para os meus dias na ilha. O motorista-guia é professor de economia da Universidade de Havana, onde ganha o equivalente a 40 dólares por mês. Ex-diplomata, fala cinco idiomas. As gorjetas em "pesos convertibles" superam em muito o salário oficial e permitem o acesso a lojas de importados, onde pode adquirir produtos estrangeiros e superar as agruras do racionamento de comida.
Enquanto dirige o táxi estatal, nosso guia fala dos feitos da revolução e das mudanças em curso. Informa que o setor privado já domina 15% da economia, mas os restaurantes e outras pequenas empresas só podem empregar a família. Nos hotéis estrangeiros, os trabalhadores são funcionários públicos. Imagino que é a maneira de evitar a "mais-valia", a suposta exploração do homem pelo homem. Na realidade, a abertura era inevitável depois da perda dos 4 bilhões de dólares anuais da União Soviética. O prurido marxista é uma desculpa, pois metade do PIB já vem do turismo. A associação com uma empresa francesa aumentou a eficiência na produção do rum Havana Club e decuplicou as exportações.
Nosso taxista é orgulhoso dos avanços na educação e na saúde, mas afirma que o desenvolvimento exige mais. "O melhor seria o caminho chinês, e Raúl Castro poderia ser o Deng Xiaoping cubano", diz, com jeito de bem informado. A experiência da Europa Oriental ensinaria como resolver a questão das propriedades confiscadas pela revolução.
O guia da Partagas parece refletir as conversas deste momento em Cuba. Nosso taxista diz que na sua faculdade 90% dos intelectuais discutem saídas para a transição. Certamente, muitos sonham melhorar suas vidas com pequenos (e talvez grandes) negócios. Ele mesmo planeja atuar no turismo assim que a abertura vier (com empregados, claro), mas é paciente. "Assim como na China de Mao, a mudança virá depois de Fidel."
Dubai, a capital do emirado de mesmo nome, já é capitalista, mas se assemelha a Cuba no lado político: não é uma democracia. No ranking da Economist Intelligence Unit, ambas são consideradas regimes autoritários. Curiosamente, o lugar de Cuba na lista geral (124) é melhor do que o dos Emirados Árabes Unidos (150), dos quais Dubai é parte.
Antes de obter o visto, fui informado de que são barrados pelo serviço de imigração os israelenses ou quem tiver no seu passaporte um carimbo de entrada em Israel. Apesar disso, Jacob Frenkel proferiu a palestra de abertura da conferência promovida em Dubai pelo AIG Global Investment Group. Frenkel é israelita e presidiu o Banco Central de Israel. A explicação pode ser simples: como Dubai busca se consolidar como o maior centro financeiro do Oriente Médio, cuja posição cabia a Beirute antes da guerra civil de 1982, barrar a entrada de Frenkel, conceituado economista, professor de Chicago e ex-diretor de pesquisas do FMI, seria um erro estratégico contra os objetivos do país.
Esse pragmatismo incorpora um cálculo econômico, e não religioso. Dentre os emirados, Dubai não é dos mais contemplados com o petróleo, que logo vai se exaurir. A saída para preservar seu alto padrão de bem-estar é o capitalismo, incluindo a atração do investimento estrangeiro e o caminho sem retorno ao liberalismo econômico. A modernização de Dubai é intensa, mas o governo federal não fica atrás. A ministra da Economia é uma mulher, Lubna Al Qasimi, que em entrevista recente (www.mckinseyquarterly.com) enfatiza o mercado de capitais e diz que o investimento estrangeiro "transfere conhecimento e expertise em áreas que não são o forte do país".
Dubai triplicou de tamanho nos últimos vinte anos. Imagina-se que vá duplicar nos próximos dez anos. A decisão de seus xeques, de transformá-lo em um centro de turismo, serviços e finanças, incrementado por investimentos imobiliários, foi acertada. Dubai é um gigantesco canteiro de obras. Em um mesmo lugar, contaram-se cinqüenta guindastes, um recorde mundial. Sua rede de restaurantes e hotéis impressiona, incluindo o já famoso Burj Al Arab, em forma de vela de barco. Está em construção ali o maior edifício do mundo, o Burj Dubai, com 160 andares e duas vezes a altura do Empire State. O metrô será o mais automatizado do planeta. A Dubailand e suas atrações pretendem ter o dobro do tamanho da Disneylândia.
Sem dispor de pirâmides, museus famosos, ruínas romanas ou locais santos, Dubai consegue atrair milhões de turistas. Estima-se que receberá 15 milhões de visitantes em 2010, mais de dez vezes sua população atual. Para tanto, possui excelente infra-estrutura aeroportuária. Mais de noventa empresas aéreas já operam em seu território. Dubai é cosmopolita. Estrangeiros compõem 85% da população. O árabe é a língua oficial, mas fala-se inglês em todos os lugares. O respeito às tradições, ao modo de vestir e a outros costumes locais é preservado, mas os trajes ocidentais predominam.
Dubai tem economia diversificada e já se transformou no segundo maior centro de reexportação de produtos industriais depois de Cingapura. O petróleo representa apenas 5% do PIB. Além da estabilidade política e econômica, não há miséria e são muito baixos os níveis de criminalidade. Suas empresas despontam nos mercados mundiais. A DP World ganhou concorrência para atuar nos principais portos dos Estados Unidos, mas foi deliberadamente barrada diante de temores no Congresso.
Cuba pode chegar à democracia antes de Dubai, mas ainda não é claro se vai mesmo caminhar para a economia de mercado, apesar da crescente percepção de que isso será inevitável. O socialismo se torna insustentável pelas mesmas razões que o levaram a desmoronar na Europa e na China, isto é, sua incapacidade de gerar riqueza e bem-estar no ritmo do Ocidente. A saída deve demorar a aparecer. Fidel ainda dá sinais de vida e de insensatez, como no brado recente contra o etanol, que segundo ele matará bilhões.
Condições para a construção de uma economia capitalista em Cuba existem. Segundo Julia Sweig, do Council on Foreign Relations, "embora infestada por uma corrupção crescente, Cuba dispõe de uma burocracia profissional, de militares testados em batalhas, diplomatas capazes e mão-de-obra qualificada. Os cubanos são altamente instruídos, cosmopolitas, saudáveis e dotados de infinita capacidade empresarial" (Foreign Affairs, jan./fev. 2007). Uma das maiores especialistas americanas em assuntos cubanos, Julia Sweig fez 84 visitas à ilha e se reuniu algumas vezes com Fidel. Os círculos que ela freqüenta por lá reconhecem a necessidade de resolver a baixa produtividade e a ineficiência na atividade produtiva. O caminho é óbvio.
Dubai depende de si própria para continuar prosperando sob o sistema capitalista e talvez iniciar uma transição rumo ao regime democrático. Cuba depende de um líder com visão de futuro, paciência e persistência para guiá-la na direção do binômio democracia-economia de mercado, mas também das atitudes do governo americano. Depois do colapso soviético, Cuba deixou de ser um problema de segurança e se tornou uma questão política doméstica, por causa dos votos cubanos na Flórida e das pressões de grupos anticastristas para o endurecimento das relações com Fidel. O sucesso da transição dependerá muito de ganhos de racionalidade na política externa dos Estados Unidos em relação a Cuba.
Nem todos se conformarão com essas duas transições. A velha esquerda latino-americana dificilmente aceitará que o comunismo de Fidel tenha sido apenas um caminho mais longo para chegar à economia de mercado. Mike Davis, em artigo de 2006 na New Left Review (http://newleftreview.org), vê ameaças no progresso estonteante de Dubai. Para ele, os atuais aplausos de bilionários e multinacionais, seus supostos beneficiários, podem desaguar em um retorno a um pesadelo do passado. "Speer (o arquiteto do III Reich) encontrará Disney nas praias da Arábia."
Na verdade, Cuba e Dubai têm tudo para construir uma combinação bem-sucedida de democracia e capitalismo. O futuro dirá."
Maílson da Nóbrega é ex-ministro
da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Integrada
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Projeto OK
Peço aos nossos leitores deixarem dicas de livros, filmes e viagem, informações, contar experiências, fazerem críticas ao nosso projeto e comentarem tudo que tiverem em mente, afinal a ansiedade pode nos cegar para coisas óbvias.
Todas os comentários serão válidos...
"Mais importante que a possível riqueza material é se sentir vivo" - Alícia Alonso
quinta-feira, 12 de abril de 2007
APRESENTAÇÃO
Este primeiro post servirá para nossa apresentação. Somos estudantes do 4º (e último!!) ano de Jornalismo da PUC-Campinas. Como Trabalho de Conclusão de Curso (que no caso do Jornalismo se chama "Projeto Experimental") pretendemos fazer um ensaio fotográfico sobre a Escola do Ballet Nacional de Cuba.
Temos pesquisado desde janeiro/2006 tudo sobre Cuba para que pudéssemos fazer o recorte ideal do tema. A princípio iríamos fazer um ensaio fotográfico sobre o Ballet Nacional de Cuba mas percebemos que a Cia de dança já tinha bastante visibilidade. Então buscamos o ineditismo.... aí surgiu a idéia de mostrarmos as SEMENTES que geram os FRUTOS, ou seja, as alunas das escola.
O trabalho precisa ser realizado no segundo semestre de 2007. Como ainda não conseguimos contato com a escola, não sabemos ao certo como funciona o ano letivo, mas acreditamos que no mais tardar em setembro estaremos em Cuba, fotografando.
Acompanhem aqui todos os nossos passos.
Hasta la vitória, siempre!